segunda-feira, 20 de outubro de 2008
“é casado? tem filhos?” (de novo)
é pergunta que só pode soar com o sentido que lhe atribuíram caso o prefeito seja de fato homossexual ou haja um mundo preexistente de boatos sobre essa possibilidade.
Quando ouvi a frase achei que se tratava apenas de um modo de figurar a “irrealidade” da presença de Kassab que, de fato, esconde seu passado político, mostrando-se como novidade mesmo sendo figurinha carimbada na administração paulistana.
Nunca tinha ouvido os boatos sobre sua suposta homossexualidade, nem sobre a possível prática de nepotismo de que lhe acusam, servindo-se do direito à privacidade para não assumir que “ajuda” seus afetos na vida pública.
Em síntese: sem saber que havia essa aura em torno dele, me pareceu exagerado ver um preconceito contra a opção sexual na pergunta. Caso ele fosse heterossexual, casado e com filhos, a pergunta poderia ser colocada da mesma forma, só que com o sentido afirmado pelos responsáveis pela campanha: “ninguém sabe quem é essa pessoa!”
Mas agora que vi que certo escalão da imprensa o trata como merecedor de uma privacidade por ter opção sexual diversa da moral vigente e que determinada vertente da oposição o acusa de dar uma secretaria a seu companheiro, não sei o que pensar da campanha da Marta.
Por uma lado, foi desesperadamente infeliz. Mas por outro, foi honestamente espontânea, como a candidata, que fala o que pensa, sem medo da rejeição.
Se Kassab tem direito à privacidade, Marta também tem. Como ela tem sido invadida, desrespeitada e caluniada, quis arrancar à força a privacidade de seu opositor. Ela não contava com a astúcia dos meios de comunicação, que protegeram o mocinho e a transformaram - pela enésima vez - em bandida.
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Comentários de Luis Favre a respeito da indignação seletiva da FSP, que não se incomoda com ataques pessoais a petistas
Como a mídia reagiu a esta acusação caluniosa, ofensiva, escrota?
O que Clovis Rossi comentou? e Eliane Cantânhede?
O documento oficial dos tucanos (ver artigo da Folha a seguir) não fazia nenhuma pergunta, não insinuava nada. Afirmava em alto e bom som calúnia, grosseria, invasão de vida privada. Qual foi a reação da Folha, fora registrar o fato? Algum tucano tinha jogado sua biografia na sarjeta, por isto?
O Goldman diz em algum lugar que “errou”? O candidato Serra mentiu quando diz que não sabia?
Fariseus e hipócritas de plantão pensam que contra o PT todo pode e fica por isso mesmo?
Acabou essa história dos militantes do PT ajoelhar no milho, enquanto somos insultados, caluniados, atacados na nossa vida privada e procuram atingir nossa honra.
Chega desses tartufos da direita que quando a esquerda é caluniada, olham para outro lado e permanentemente invocam a ética para encobrir as falcatruas dos seus protegidos.
Luis Favre
A seguir artigo da Folha de São Paulo 31 de julho de 2004
ELEIÇÕES 2004/CAMPANHA
Na internet, partido diz que prefeita tem “dois maridos’; PT reage e distribui cópias do documento a jornalistas em evento oficial
PSDB volta a atacar vida pessoal de Marta
CHICO DE GOIS
ANDRÉ NICOLETTI
DA REPORTAGEM LOCAL
O PSDB voltou a atacar a vida pessoal da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), vinte dias depois que deputados do partido fizeram insinuações contra ela e seu marido, Luis Favre.
Anteontem, o site do Diretório Nacional do PSDB divulgou uma nota intitulada “Dona Marta e seus “dois maridos’”, na qual fazia referência à participação do senador e ex-marido de Marta, Eduardo Suplicy, na campanha da prefeita à reeleição.
Ontem, os tucanos tiraram o texto do ar. O PT informou que irá entrar na Justiça com uma ação contra o PSDB. A prefeita afirmou que ainda não sabia se ela, pessoalmente, faria o mesmo. E o senador Eduardo Suplicy classificou de “bobagem” as afirmações feitas pelo PSDB. “Sou senador por São Paulo e a prefeita me convidou para visitar uma obra.”
Ontem à noite, o senador acompanhou a prefeita no lançamento de um comitê de campanha de Marta na Penha, zona leste.
Como divulgado anteontem pela Folha na coluna “Toda Mídia”, do jornalista Nelson de Sá, a nota dizia que “a participação do senador na campanha da ex-mulher é uma das estratégias da direção petista para enfrentar o desgaste sofrido por ela por conta da separação dos dois”.
O texto concluía que “dona Marta tem “dois maridos”. Cá entre nós: que papelzinho ridículo o senador Suplicy se prestou ao sair em “campanha” para mitigar a imagem que a sra. Marta construiu para si mesma”.
Cópias da página do PSDB foram distribuídas para os jornalistas na manhã de ontem por assessores da campanha de Marta durante evento para sancionar lei de criação dos conselhos de representantes de subprefeituras.
A assessoria de imprensa do Diretório Nacional do PSDB informou que “a orientação do partido é para não entrar nesse tipo de debate”. A assessoria admitiu que “foi um erro” a edição da nota e informou que, ao perceber o erro, retirou o texto do ar.
Ontem o candidato a prefeito do PSDB, José Serra, afirmou desconhecer a nota, mas disse não apoiar esse tipo de ataque.
De acordo com o coordenador-geral da campanha petista, deputado estadual Ítalo Cardoso, o departamento jurídico do PT entraria com uma ação na Justiça, mas ainda não estava definido se seria apenas civil ou também criminal.
O candidato a vice de Marta, Rui Falcão, disse, no lançamento de um comitê em Aricanduva, zona leste, que “pela segunda vez, adversários que se dizem detentores da ética e do trabalho agridem o PT e a prefeita”. Falcão disse que “não vamos aceitar provocações, mas também não vamos aceitar nenhum tipo de intimidação”.
Ele se referia às afirmações do deputado federal Alberto Goldman e do deputado estadual Celino Cardoso em um comício no dia 11 de julho. Na ocasião, Goldman disse: “Quero saber cadê o dinheiro. De um deles, a gente sabe onde está: na Suíça. E o da Marta? Vamos perguntar para ela ou para o marido dela onde está o dinheiro de São Paulo”.
- Justiça derruba quebra de sigilo do vice de Serra -
Folha de S. Paulo
Justiça derruba quebra de sigilo do vice de Serra
AGENDA DA TRANSIÇÃO
"Parcos elementos não justificam devassa", diz TJ
DA REPORTAGEM LOCAL
Duas decisões judiciais anularam ontem a autorização para a quebra de sigilo bancário do vice-prefeito eleito de São Paulo, Gilberto Kassab (PFL), que é investigado pelo Ministério Público por eventual enriquecimento ilícito.
A autorização para abertura das contas do vice do prefeito eleito, José Serra (PSDB), e de seu sócio, o deputado estadual Rodrigo Garcia (PFL), havia sido concedida na quarta-feira, em decisão liminar da juíza Maria Gabrilla Sacchi, da 11ª Vara da Fazenda Pública.
Na tarde de ontem, o desembargador Correa Vianna, da 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça, derrubou a liminar.
O STF (Supremo Tribunal Federal), no início da noite, também anulou a quebra. Relator do caso, o ministro Celso de Mello avaliou que a decisão da juíza para a abertura das contas do vice de Serra não vale, já que Kassab é deputado federal e, por isso, tem foro privilegiado. A quebra, portanto, só poderia ser autorizada pelo STF.
Na sua decisão, o desembargador Correa Vianna, do TJ, afirma que "não se justifica verdadeira devassa na vida bancária dos requeridos [Kassab e Garcia] (...) com os parcos elementos fornecidos pelos autores [promotores]".
Reportagem publicada pela Folha no dia 7 de julho revelou que o vice-prefeito eleito teve seu patrimônio aumentado em 316% (descontada a inflação) entre 1994 e 1998, período em que se elegeu deputado estadual e trabalhou, por um ano e três meses, como secretário do Planejamento da administração do prefeito Celso Pitta (1997-2000). Garcia foi seu chefe-de-gabinete.
Kassab e Garcia recorreram ao TJ alegando que já tinham explicado suas evoluções patrimoniais ao abrirem seus dados fiscais aos promotores que apuram o caso.
Justificativas
Na decisão, o desembargador justificou por que considerou "parcos" os argumentos dos promotores. "Notícias vagas publicadas na imprensa, depoimentos de ex-esposas ou propaganda política de baixo nível não justificam a quebra de sigilo bancário, mesmo porque, até agora, nenhum fato concreto foi apontado pelos requerentes", argumenta Vianna.
Ele se referiu, indiretamente, à reportagem da Folha, ao depoimento dado aos promotores pela ex-mulher de Pitta, Nicéa Camargo, e à campanha do PT nas eleições municipais, que teve como um de seus alvos o vice de Serra.
Os promotores responsáveis pelo inquérito civil que investiga a evolução patrimonial de Kassab e Garcia não comentaram as decisões de ontem, pois não tomaram conhecimento de seu conteúdo. Todas elas são liminares, portanto têm caráter provisório e aguardam avaliação de seu mérito .
No entendimento dos advogados do vice de Serra, por causa da decisão do Supremo, ele não está mais sujeito à decisão do mérito da ação dos promotores, ao contrário de Garcia e das quatro empresas nas quais eles são sócios. Essas empresas estão incluídas no pedido de quebra de sigilo bancário feito pelos promotores.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
A vida do aqui e agora está solapada pelo BBB eleitoral
Basta ligar a TV e ver que cada frase que sai da boca dos candidatos reflete um mundo de faz-de-conta incapaz de se aproximar das conversas reais, do bate-volta dialógico, da visão crítica sobre si-mesmo e da consideração pelas reações dos interlocutores.
Os políticos transformam seus ouvintes em estátuas inertes, pois, abrindo a boca para falar de coisas tão importantes às pessoas mas de forma tão desconectada de suas reações, demonstram que não sabem mais o que é interlocução.
Tanto é assim que o bate-pronto dos diálogos dos debates exige um dia inteiro de preparo por parte das equipes de marqueteiros. E os debates reproduzem os monólogos sonsos em que todos são obrigados a defrontar a todos, mas ninguém de fato dialoga. Dialogam apenas com as normas do marketing, com as pesquisas e com seus medos de serem desmascarados. Ninguém se convence mais com os debates, sua forma está caduca e nem mesmo os âncoras acreditam nas constribuições que tanto proclamam.
O único modo observar um político é vendo-o em ação, conhecendo sua história de vida e descobrindo quais suas contribuições à coletividade. Procurar conhecer um político apenas através da campanha é permitir tratar-se como um boneco manipulável incapaz de reações humanas.
Por outro lado, as poucas situações de diaólogo espontâneo vividas nas ruas podem, de leve, dar indícios de quem são essas pessoas que julgam ser capazes de liderar as cidades onde vivem.
Bom exemplo disso é a questão em torno do respeito aos casais de mesmo sexo. Trata-se de um assunto de legislação, não de vida privada. Trata-se de direitos concedidos e interditados pela lei. As discussões em torno da questão são reflexo de história de vida e não de mera campanha. As posições em relação ao assunto demonstram muito mais do que "programas de governo".
Na última semana os três candidatos mais populares à prefeitura de São Paulo foram defrontados com a questão de forma mais ou menos imprevisível. Eis as reações:
Alckmin, numa feira evangélica:
"Quando o candidato foi questionado sobre sua posição a respeito da diversidade sexual, ele deu uma rápida resposta e tratou de mudar de assunto. 'Eu sou favorável [à diversidade sexual]. Mas eu queria destacar a importância da Expo Cristã, uma das maiores feiras do mundo de produtos e serviços para o mundo cristão'."
[Alckmin tenta conquistar evangélicos, mas foge de polêmica
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u444394.shtml]
Kassab, na mesma feira, dias antes de Alckmin:
"Antes de o prefeito subir ao palco, lideranças religiosas atacaram o homossexualismo. O deputado estadual Waldir Agnelo (PTB) lançou abaixo-assinado contra o projeto de lei complementar 122, de 2006, que criminaliza a homofobia.
Kassab não mencionou o assunto ao subir ao palco. Ele cantou o hino nacional acompanhado dos organizadores do evento e depois pediu aos pastores que orem pela cidade de São Paulo e por seu prefeito. (...) Antes de deixar o local, Kassab afirmou que não assinará o documento. 'A minha posição é a favor da diversidade sexual e tenho em todos os momentos me manifestado como cidadão e como prefeito'."
[Kassab abre feira cristã e nega assinar manifesto contra homossexuais
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL753749-5601,00-KASSAB+ABRE+FEIRA+CRISTA+E+NEGA+ASSINAR+MANIFESTO+CONTRA+HOMOSSEXUAIS.html]
Marta, em encontro da Igreja Batista:
"A candidata da coligação 'Uma Nova Atitude para São Paulo' (PT-PCdoB-PDT-PTN-PRB-PSB), que propôs projeto da parceria civil entre pessoas do mesmo sexo quando era deputada, rebateu críticas de pastores ao projeto de lei complementar nº 122, que tramita no Congresso e aborda a punição da homofobia. A petista deixou claro seu ponto de vista. Ela disse desconhecer a proposta, mas se posicionou fortemente 'a favor do respeito à dignidade das pessoas'.
'Minha posição é que (o homossexual) não pode ser desrespeitado. Se for para xingar, dizer que é doente, eu sou contra', afirmou Marta. Ela acrescentou que deve ter uma "coerência na vida", referindo-se à sua formação de psicanalista e sexóloga. 'A minha posição eu sei e deixei clara qual é', enfatizou, reconhecendo entretanto, que possui uma postura divergente à da Igreja Batista.
[Em encontro com batistas, Marta defende homossexuais
http://www.atarde.com.br/politica/noticia.jsf?id=962187]
As duas primeiras posições mal podem ser chamadas de posicionamentos diante da questão. São posturas do tipo vale-tudo, manejadas pelo marketing da ambigüidade. A interpretação ingênua seria a de que pretendem agradar a todos os estratos sociais, mas todos sabem que as decisões institucionais, ainda mais numa questão dessas, não pode agradar a todos. Trata-se na verdade da orientação que os políticos em campanha recebem de seus assessores para que evitem ao máximo as polêmicas para que não aumentem o percentual de sua rejeição.
A terceira é, de fato, um posicionamento. Político, ideológico e de vida. Todos sabem o que ela pensa do assunto e se ainda não soubessem, com suas declarações, ficariam sabendo. No mesmo artigo, seu autor escreve: "Após o término do encontro, o pastor Gésio Duarte Machado, diretor do Colégio Batista, foi diplomático e avaliou que a petista 'foi clara e aberta', ressaltando que ela 'tem sua postura'."
Não se trata de defender a candidata, ou sua proposta, mas de apresentar discursivamente o modo como os políticos podem ou não tratar os cidadãos de forma digna. A dignidade não está só no saneamento, segurança, trânsito, saúde, educação, etc. A dignidade começa com o discurso, quando aquele que fala incorpora o outro nas suas frases. Não temos as imagens das declarações de Alckmin e Kassab, mas se pudéssemos imaginar, diríamos, que falam olhando para baixo, para os lados, olhando no relógio, mas nunca nos olhos do interlocutor. Isso porque não querem ser olhados nos próprios olhos, têm medo de ser mostrar, de serem reconhecidos, de se posicionarem. Marta é diferente, ela mostra, olhando nos olhos do seu outro que está presente e que o que conta não é o marqueteiro, mas a história de sua vida.
É preciso abandonar o formato atual, que é uma tragédia lingüística. Ninguém mais acredita no simulacro tosco dos debates televisivos, que são BBBs eleitorais e eleitoreiros. Não serão necessários sistemas de campanha, mas a não campanha, onde a história e o diálogo voltem à cena. Os bonecos eleitores e candidatos devem ser solapados pelo aqui e agora das conversas rápidas. Cabe ao jornalismo ser a testemunha ocular dessa realidade, que existe mas está obscurecida pela grandiloqüência dos diálogos sem interlocutores, das respostas que respondem ao que não se perguntou e pior: das respostas que não convergem com os históricos de vida. A história do presente poderá ser escrita pelo jornalismo, se um dia ele parar de privilegiar os simulacros narrativos e definir-se novamente como dialógo crítico que faz interagirem o leitor e o noticiado.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Nunca se viu na história desse continente...
As fotos das capas são signos das posições ideológicas.
O brasileiro adota a estratégia de se opor ao presidente Lula, mesmo que, para isso, a frivolidade supere a importância da notícia:

Lembre-se que o Estadão se opõe assumidamente ao presidente Lula desde as eleições, propondo em seu editorial o voto a favor do outro candidato, na época o governador José S.
Para o jornal El Clarin, o alinhamento entre os dois países, o acordo e o entusiasmo de uma vida sem a regência do dólar são recuperadas na imagem festiva do casal de presidentes:

Duas imagens dizem mais do que mil palavras ao quadrado!
Mas mesmo assim, é preciso dizer algo mais:
Os leitores do jornal brasileiro quando assinam ou simplesmente o lêem têm em mente que estão diante de um produto que quer enfiar-lhes uma ideológia goela abaixo?
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Nota breve: "prefeiturável"

A Folha de São Paulo veio com o neologismo "prefeiturável". Julgando a capacidade lingüística de seu redator, podemos inferir que seu jornalismo não anda muito bem.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u428460.shtml
Nada melhor do que neologismos para explicitar que a relação entre o falante e o sistema lingüístico não é de passividade. E, quando bem feito, torna a leitura rica e prazerosa. Porém, feito às pressas, em veículos de circulação em massa, sem transparecer um mínimo de intimidade com a língua, é chato, ruidoso e desnecessário
No vernáculo, temos formas como "prefeito" e "prefeitoral". O Houaiss, aqui do meu lado, atesta "prefeitável", que ele data de 1992.
No termo "presidenciável", derivado da forma abstrata *presidenciar, há uma coerência morfológica e semântica entre o termo de origem e o que o derivado pretende designar. Afinal de contas presidente/*presidenciar/presidenciável são formas afins.
Porém, o que a FSP está sugerindo é um termo derivado de "prefeitura", o que pressupõe a forma *prefeiturar, que, caso existisse, seria "que pode tornar-se prefeitura" e não "que pode tornar-se prefeito".
Por isso, é preferível a derivação da forma "prefeito" > "prefeitável", já atestada.
Preferível também é ler melhores jornais.
domingo, 20 de julho de 2008
Extra-Extra! Margem de erro vale para Marta, mas não para Alckmin
Título: "
"Pesquisa mostra empate técnico entre Marta e Alckmin"
No corpo da notícia, detalha que Marta tem 34% e Alckmin tem 31%, como a margem de erro é de 3%, daí o empate técnico.Adiante, na simulação de 2ºturno, o mesmo IG diz:
"Num hipotético segundo turno, Alckmin apareceu à frente de seus dois principais rivais."

E só abaixo, a ressalva:
"Contra Marta, registrou 47% a 43%, em situação de empate técnico (...)"
Ou seja, há empate técnico no 1º e 2º turnos, mas o IG destaca empate quando a vantagem é de Marta e liderança quando a vantagem é de Alckmin.
Em jornalismo, erro e desatenção só passam pelo editor se ecoarem sua voz.
Caso contrário, é barrado.
Se o senso comum diz que os números falam por si mesmos, aqui estão fazendo ventriloquismo estatístico.
http://ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/sao_paulo/noticias/2008/07/19/pesquisa_mostra_empate_tecnico_entre_marta_e_alckmin_1455907.html
domingo, 20 de abril de 2008
Entrevista com FHC
Mesmo ele sendo sociólogo, ex-diplomata e ex-presidente, não desenvolveu a mínima capacidade de formular duas frases coerentes entre si. Falta-lhe o hábito de se defrontar com o pensamento crítico e a contestação em entrevistas, que, aqui, em terra pátria, são muito fraquinhas.
Note como o entrevistador, Stephen Sackur, vai brincando como um gato atrás de um ratinho fragilizado. É curioso ver como ele foi mal acostumado pelas generosas perguntas dos repórteres da imprensa brasileira; ele vai ficando cada vez mais constrangido diante de alguém que não se inibe de perseguir as contradições e a inconsistência de seu discurso demagógico. Chega um momento em que lemos no rosto dele: "Onde fui me enfiar! A que horas isso acaba! Estou com saudades da Eliane Catanhede!"
Se há algum mérito por parte do entrevistado, é apenas o fato de estar lá presente. Ou foi corajoso, ou nunca tinha ouvido falar no estilo do programa...
Parte 1
Parte 2
sábado, 19 de abril de 2008
Os monstros e o linchamento
Quando o absurdo que são as relações familiares acaba em tragédia, em vez de refletir sobre o fracasso dessa instuição, atiram pedras no bode, que hoje é o Alexandre Nardoni. É mais fácil acreditar que existam indivíduos monstros do que assumir que criamos um monstro social chamado família.
Somente a hipocrisia, liderada pela corja que se apoderou do jornalismo, faz esse casal estar sujeito a um linchamento. Enquanto não assumirem publicamente a falência das relações matrimoniais no nosso modelo de civilização, os apedrejamentos públicos serão uma boa maneira de o cidadão mediano continuar sem consciência a respeito do lixo que é a sua vida.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Show da imprensa na morte de Isabella
| Show da imprensa na morte de Isabella | | | |
| Por Hamilton Octavio de Souza | |
| 16-Abr-2008 | |
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A morte da menina Isabella, por si só um acontecimento chocante e dramático do ponto de vista pessoal e familiar, acabou se transformando num grande espetáculo para as emissoras de rádio e TV, os jornais e as revistas, que passaram a dedicar exagerado espaço para uma cobertura jornalística de conteúdos e objetivos questionáveis e duvidosos. Não é de hoje que a chamada grande imprensa empresarial - os principais veículos de comunicação de alcance nacional - exploram de forma sensacionalista crimes bárbaros e situações que são transformadas em escândalos com uma dimensão desproporcional em relação a outros fatos e acontecimentos mais relevantes para a sociedade. A inversão de critérios é evidente: os fatos não são analisados por sua relevância social e pelo impacto de racionalidade que possam ter para o desenvolvimento da sociedade; são tratados apenas pela possibilidade da exploração emocional e passional, de maneira que provoquem o máximo de choque e nenhuma reflexão coletiva mais aprofundada. No caso da morte da menina Isabella, aparentemente uma fatalidade (como tantos outros casos isolados que ocorrem diariamente pelo Brasil afora), a cobertura da mídia - na busca de audiência e de aumento de vendagem nas bancas - tratou como se fosse uma novela, com capítulos diários recheados de detalhes irrelevantes e paralelos, mas dosados - com a ajuda da Polícia, do Ministério Público e do Judiciário - de suspense suficiente para manter o telespectador (leitor e ouvinte) aprisionado no enredo da história. Apenas para destacar esse tratamento diferenciado, no mesmo dia da morte da menina, 150 soldados da tropa de elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro invadiram uma favela e assassinaram 10 pessoas. Não foi a primeira vez, nos últimos meses, que a PM do Rio cometeu tamanha barbárie contra uma comunidade pobre. No entanto, a grande imprensa nacional deu apenas um pequeno registro desse crime violento praticado pelos agentes do Estado. Do ponto de vista da relevância social, o crime do Rio atenta contra toda a sociedade, pois representa uma violação bárbara de direitos. No entanto, o tratamento dado para esse genocídio carioca é o da banalização total do crime, é o do rebaixamento do valor das vidas humanas porque os mortos estão localizados na escala mais baixa das condições de vida no País. Do ponto de vista do espetáculo e da comercialização dos fatos, o caso da menina Isabella "permite" muito mais exploração inconseqüente do que as 10 mortes do Rio de Janeiro. No caso da Isabella, a mídia dissecou todos os detalhes possíveis, entrevistou dezenas de pessoas, desde parentes até colegas e professores. No caso do crime do Rio, o assunto morreu no mesmo dia e o povo brasileiro nada ficou sabendo sobre as vítimas, quem eram, quais as suas histórias, o que faziam, quem são os seus parentes e porque foram assassinadas. Em momentos como esse é que se verifica que o jornalismo brasileiro sofre de grave distorção nos seus critérios de seleção dos assuntos, na escolha do destaque dado aos fatos e na linha dos enfoques. Mais importante do que transformar atos anti-sociais (crimes) em shows de emoção, é analisar a realidade – política, econômica e social - que gera a violência e leva o ser humano ao ato anti-social. O papel mais nobre da imprensa é o de fornecer para a sociedade o material jornalístico que contribua efetivamente para elevar o nível de informação, de consciência e de compreensão da nossa realidade.
Originalmente publicado no jornal Brasil de Fato – http://www.brasildefato.com.br/ Hamilton Octavio de Souza é jornalista e professor da PUC-SP. |
domingo, 2 de março de 2008
Prefeito de São Paulo em campanha fascista
Notícia:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2008/03/413137.shtml
Vídeo:
http://www.movimentodoscatadores.org.br/noticias_integra.aspx?noticia=244
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Um artigo de Altamiro Borges
Mídia esconde o bloqueio a Cuba
Excitada com a decisão de Fidel Castro de deixar a presidência do Conselho de Estado de Cuba, a mídia hegemônica tem adotado uma pauta esquizofrênica. Num ritual macabro, ela promove o "obituário precoce" do líder revolucionário, como que torcendo por sua morte; ao mesmo tempo, ela faz especulações sobre a chamada "transição" na ilha, apostando na introdução da "economia de mercado" e da democracia burguesa. Do ponto de vista jornalístico, pouco se aproveita. São mais opiniões ideologizadas do que informações. Tanto que a mídia procura esconder os efeitos nefastos do criminoso bloqueio econômico a Cuba, que completa 46 anos neste mês de fevereiro.
... continua: http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=31748
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Cópias empobrecidas: a minha escrita e o jornalismo
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Reflexões sobre a linguagem
Na capa de uma revista semanal, conhecida por sua adesão ao sensacionalismo e à cobertura parcial e partidária da política nacional, lê-se: "o mundo encantado deles"
O pronome "deles", contração de "de" + "eles", demonstra algo curioso a respeito da estrutura social brasileira.
Se perguntar ao editor quem são "eles", possivelmente dirá que é o governo da situação. É isso o que ele quis dizer quando disse "deles".
Agora, se perguntar ao editor a quem se opõe o "eles", caso responda, dirá possivelmente a "nós".
Ora, quando se diz "eles", está-se criando uma oposição entre dois grupos: são eles do lado de lá e "nós" do lado de cá.
Sendo assim, a revista, com o implícito de sua capa, mostra-se do modo mais autoritário possível diante da sociedade brasileira, partindo do pressuposto de que ela tem alguma representatividade social. Ela se considera no direito de falar em nome de "nós".
A revista não veicula, em sua farsa editorial, a "nossa" voz, o "nosso" compromisso, etc. etc.
Em meio à heterogeneidade que é a sociedade brasileira, a revista se pretende como um porta-voz auto-instituído de todo o interesse que é diferente do interesse do "eles".
A capa da revista, na baixeza de sua linguagem autoritária, cria um efeito de unidade em que o seu assinante identifica-se imediatamente com o "nós" instituído por sua linha editorial.
O leitor então, em meio a tanta diversidade cultural, regional e social que há no Brasil, passa a validar que a revista tem o poder de se instituir como a voz única do "nós, os brasileiros governados por eles".
Trata-se de uma sutileza de linguagem que demonstra, como sempre, o caráter autoritário e farsante de uma revista que representa uma parcela da classe média brasileira que se entende como a única capaz de pensar e decidir sobre o rumo nacional (lembre-se que são essas pessoas que não admitiem um presidente que foi escolha da maioria). Tal grupo, reflexo e espelho dessa revista, tem a pretensão de ser mais brasileiro do que todos os outros brasileiros e, por isso, acredita que pode utilizar o pronome "nós" em nome de todos.
E, com essa mesma ignorância e presunção, continuam assinando esses semanários que mascaram seus interesses particulares e partidários como se fossem interesses daqueles que chamam de NÓS, os brasileiros.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
Imprensa é lado estúpido em qualquer canto
O filme Shine a Light, além de mostrar música e ícones do pop, expõe ao rídiculo a imprensa. A exemplo do que ocorre neste lado do Globo, o filme mostra que, do lado de lá, discurso de jornalista também é vazio e freqüentemente demonstra enorme incapacidade de se relacionar com a novidade.
IMPRENSA É O LADO ESTÚPIDO DOS MUSICAIS
http://www2.uol.com.br/mostra/31/p_jornal_553.shtmlAlarmismo e Febre Amarela
Fora do propósito clínico, ou da saúde pública, verificou-se nos últimos meses um alarmismo, típico de ano de campanha eleitoral, com relação a um possível descontrole da febre amarela no país. Editores de jornais mais uma vez deram espaço a textos escritos por colunistas ignorantes de seus temas em prol de estabelecer uma imagem de caos e de gerar medo na população. O custo disso está nos cofres públicos, obrigados a cobrir a despesa do excesso de vacinas a serem tomadas desnecessariamente; nos cidadãos que, levados pelo medo à vacinação, expuseram sua saúde a riscos desnecessários; etc.
A respeito desse tema, endereço abaixo duas boas matérias.
Publicada pela Fapesp, em que até se comenta a respeito de um pessoa com suspeita de febre amarela vacinal (transmitida pela vacina):
http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?data[id_materia_boletim]=8361
Esse aqui, do médico Pedro Saraiva, comenta a respeito do interesse político no alarmismo, publica as estatísticas dos casos de febre amarela nos últimos anos e demonstra a mentira que há por trás da imagem de que "a febre amarela aumentou no Brasil":
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/alerta-amarelo-medico-levanta-hipotese-de-que-vacinacao-pode-produzir-super-virus/
Primeiro Post (ou 1, 2, 3, testando...)
Olho à minha volta e o que vejo são milhões de pessoas fazendo coro ao que lhes enfiaram goela abaixo.
Será muito bem vindo o dia em que o jornalista puder responder pelas palavras que profere, tanto quanto qualquer outro profissional. Os colaboradores mais freqüentes dos grandes veículos de imprensa são formadores de opiniões baratas que ocupam cargos que deveriam ser ocupados por profissionais que se amontoam em blogs e sites independentes.
Não estou indignado !
Não creio que indignar-se seja um bom verbo na atualidade. Todos os que sempre se acomodaram diante das injustiças hoje falam de boca cheia: "estou indignado!"
Aí você pergunta: "com o quê?!"
E vem a resposta: "com a cpmf!!!"
- Então tá... pensei que fosse sério.
Estar indignado hoje reflete sua resignação, reflete seu estado de espírito letárgico.
Quando você diz que está indignado está dizendo que sua mente é sonolenta, preguiçosa e só é capaz de repetir o que mandam que ela repita. Afinal de contas, há quanto tempo você está indignado? Desde que viu o primeiro mendigo na rua? Desde que soube que o Brasil é a terra da desigualdade social?
Ou desde que o jornal mandou você indignar-se? Há uns 4 ou 5 anos atrás...
Há muitos estados de espírito a se explorar além da indignação oportunista.
Que caia o cânone para que a alma se eleve!
A internet deu início à Era do Jornalismo Apócrifo.
Antes de indignar-se procure saber quem lhe fala, por quê lhe fala, para que lhe fala.
Depois de saber das razões mais profundas, cancele sua assinatura e leia a imprensa alternativa.