O mundo jornalístico da grande mídia é a expressão de certos cidadãos, que vivem sob condições mentais muito especiais, cujos valores são muito menores do que o prestígio que possuem deixa presumir. Preservam uma espécie de absolutismo político, que teve como soberano absoluto o “príncipe da sociologia”.
O sentido desse absolutismo é menos a perfeição para concentrar as forças da nação, e mais a de criar monarcas enaltecidos, rodeados de uma pequena corte, da qual faz parte este séqüito midiático. A corte é apenas um subproduto desse processo, e conflui em direção ao rei porque está destituída de capacidade natural, que é informar. De sua existência junto ao rei, surgiu-lhe a função de destruir as tendências centrífugas, que poderiam organizar uniformemente a política, a administração e a economia. Esta pequena minoria de cidadãos, que não deixa de matizar o gosto de seu tempo, não possui uma autoconsciência de seu âmbito pérfido de atuação. É gente culta – quer dizer, nem erudita, como os especialistas, nem cru e ignorante como o povo – e bem educada, munida daqueles conhecimentos que pertencem a um caráter de gosto burguês, de uma imagem social ideal. E é a partir desse gosto de público elitizado, dessa sociedade culta dos círculos imediata e mediatamente próximos da corte, que se pode explicar o trágico abismo criado entre a ambição pessoal e a precariedade social.
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